Entender a hipermídia é o novo desafio dos profissionais da comunicação. Vivemos hoje uma verdadeira revolução na forma como compartilhamos informação e, como consequência, a tradicional relação emissor x receptor está tomando novos rumos.

Intimamente ligado a esse fenômeno está o processo de convergência de mídias. Texto, som e imagem deixam de existir como recursos comunicativos isolados e passam a funcionar em conjunto, permitindo que o público absorva a informação de diversas maneiras, tudo ao mesmo tempo. Se antes o leitor satisfazia-se com a informação trazida pelo texto do jornal, agora esse texto pode estar acompanhado de um vídeo e de fotos que ilustrem o relato e lhe permita ter uma noção maior dos fatos.

Mas nem só de convergência se faz a hipermídia: a verdadeira palavra de ordem é interatividade. A partir do uso de mídias que vão da telefonia móvel à Internet, o público tem o poder de se posicionar sobre o que foi noticiado. Agora, o espectador é convidado a emitir sua opinião, explorando a mesma diversidade de métodos com que a informação inicial foi transmitida –por meio de textos, sons e/ou imagens.

Tudo isso já está acontecendo no Brasil e no mundo. Vemos a utilização prática do conceito de hipermídia quando, por exemplo, a produção de um reality show na TV concede à audiência o poder de eliminar um dos participantes, via voto na Internet ou mensagem SMS. É com base nesses mesmos princípios que a Web 2.0, a TV Digital, o cinema interativo e uma série de outras invenções estão surgindo e se consolidando como ferramentas comunicativas eficazes.

Teóricos na área, no entanto, vão muito além. Alguns incluem à convergência de textos, sons e imagens elementos que realcem a ideia de concretude da informação, como cheiros e texturas. Outros, como Vicente Gosciola, doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, afirmam que, pela hipermídia, o usuário poderá controlar a própria navegação e até mesmo extrair textos, imagens e sons daquilo que for compartilhado.

Diante de tantas ferramentas, múltiplas possibilidades de interação e de um fluxo cada vez mais intenso de informações, como o jornalista deve se portar? Encontrar as respostas para essa pergunta, num ambiente que passa por mudanças constantes e radicais, é hoje o maior desafio para o profissional da comunicação.

A única certeza, por enquanto, é a de que o futuro da profissão está em explorar ao máximo o funcionamento da hipermídia como uma linguagem híbrida, para que a informação seja não só transmitida, mas sim compartilhada de forma mais eficiente, atraente e próxima do público.

Texto redigido para o trabalho interdisciplinar do curso de Jornalismo, que consistia na criação de um jornal-mural.

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